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Há vidas que passam pelo mundo como um sopro, mas deixam rastros tão profundos que o tempo, em sua imensidão, se recusa a apagar. Olhar para a fotografia na lápide de Maria Auxiliadora Martins de Castro , no Cemitério do Água Verde, em Curitiba, é encarar um mistério congelado em preto e branco. Dali, sob o céu paranaense, os olhos de uma moça lindíssima fitam o infinito, carregando a eternidade de quem partiu no auge de seus 25 anos . Nascida em São Paulo, no iluminado ano de 1950 , Maria Auxiliadora pertenceu a uma geração que viu o mundo pulsar em extremos. Seus olhos jovens testemunharam a história acontecer em ritmo acelerado. Ela era uma menina de oito anos quando o Brasil sorriu com o primeiro título mundial de futebol, e uma jovem de dezenove quando o homem tocou a Lua em 1969. Ela cresceu ouvindo o nascimento da Bossa Nova, a rebeldia colorida da Jovem Guarda, os acordes dos Beatles e o grito poético da Tropicália. No entanto, a imagem de mundo que ela levou consigo em ...