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Banco não é igual à máfia, BANCO É A MÁFIA

 


 

A revelação das entranhas do Banco Master pela Polícia Federal não é apenas o retrato de uma fraude bilionária; é a confirmação de que a fronteira entre o colarinho branco e a pistolagem é mais tênue do que supõe a vã filosofia dos reguladores. Ao contrário do que Daniel Vorcaro sussurrou em mensagens à namorada, o banco não é "igual" à máfia. O banco, como a história e o material da PF sugerem, é a própria máfia.
A trajetória do sistema financeiro global corrobora essa tese. Se não formos profundos na investigação, o banco parece uma instituição de crédito; se cavarmos, encontramos a "máfia mãe". O currículo é vasto: desde a lavagem de US$ 200 bilhões pelo Danske Bank na Estônia até o esquema Ponzi de Bernie Madoff, passando pela manipulação da taxa Libor e o uso do HSBC por cartéis de drogas. Casos como o do BCCI em 1991, que operava como um "banco de estados-nação" para o crime em 72 países, ou o Wells Fargo forjando 3,5 milhões de contas falsas, mostram que a fraude é sistêmica.
No Brasil, essa cultura se manifesta no abuso contra os mais vulneráveis, como nos empréstimos consignados não autorizados e no roubo de dados de aposentados do INSS. No caso do Master, a "Turma" — codinome da milícia privada de Vorcaro — elevou o patamar: planejaram "quebrar os dentes" de jornalistas e operaram sistemas clandestinos de espionagem.
O uso de apelidos como "Sicário" para Luiz Mourão não é mera coincidência semântica; é a descrição do cargo. O suicídio de Mourão e a prisão de figuras como Fabiano Zettel e o próprio Vorcaro expõem um núcleo que não apenas roubava, mas intimidava e corrompia servidores do Banco Central para garantir a blindagem do esquema.