O que aconteceu entre a última mensagem não respondida e a queda? Por que o helicóptero não acionou seu ELT? E o que revela o histórico recente da aeronave?
A tragédia que matou o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e outras quatro pessoas ainda guarda perguntas sem resposta. O Bell 430 de matrícula PP-MGR caiu na Serra Catarinense na segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim.
Morreram Geraldo Antonio de Carvalho, o Rick, de 59 anos; Bruno Avelar de Souza; Paulo Ricardo dos Santos Soares; o piloto Antonio Roberto Nobrega de Araujo; e o copiloto Leopoldo de Barros Teixeira. A identificação foi confirmada pela Polícia Científica de Santa Catarina.
| Bell 430 | imagem: Richard Honey / O Bimotor fabricado nos Estados Unidos pode transportar até sete passageiros e teve apenas 136 exemplares produzidos |
Os minutos que ainda precisam ser explicados
Um dos pontos que chama a atenção na cronologia está por volta das 11h17.
Segundo relato do operador aeroportuário Juliano Luft, naquele horário ele enviou uma mensagem perguntando se o PP-MGR faria uma parada em Lages para abastecimento. A mensagem, segundo ele, não foi recebida. O helicóptero havia decolado de Porto Belo por volta das 11h com destino a São Joaquim.
Há ainda relatos sobre um registro sonoro captado por uma câmera rural por volta das 11h32, que teria sido associado à possibilidade de ser o momento da queda. Esse horário, entretanto, ainda precisa ser confrontado oficialmente com os demais registros da investigação.
É justamente aí que surge uma das perguntas centrais: o que aconteceu entre a última tentativa conhecida de contato, às 11h17, e os registros posteriores que podem ajudar a determinar o momento exato da queda?
São minutos que podem ser decisivos para reconstruir os últimos momentos do voo.
E o ELT? Por que não houve sinal de emergência?
Outro ponto que merece esclarecimento é o ELT — Emergency Locator Transmitter, equipamento destinado a transmitir sinais de emergência de uma aeronave.
Informações divulgadas sobre o caso indicam que o PP-MGR possuía ELT cadastrado, mas não foi detectado um sinal de emergência em 406 MHz pelo sistema de busca e salvamento.
Isso, por si só, não permite concluir que o equipamento estava com defeito. Um impacto severo pode danificar o transmissor, a antena, a alimentação elétrica ou outros componentes. A própria investigação técnica deverá verificar as condições do equipamento e se houve ou não tentativa de acionamento.
A pergunta, portanto, permanece: por que não houve um alerta captado pelo sistema de emergência?
O histórico de março também entra no quebra-cabeça
Há outro fato que não pode ser ignorado na reconstrução do histórico da aeronave.
Em 31 de março de 2026, o mesmo PP-MGR realizou um pouso de emergência em uma área rural de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul. Relatos publicados na época apontaram problemas técnicos, mas não há, até o momento, um relatório técnico público que permita afirmar qual foi exatamente a falha.
| A dupla Rick & Renner, Rick completaria 60 anos agora em dezembro próximo / imagem: Divulgação |
Cerca de um mês depois, em 30 de abril, o cadastro da ANAC passou a registrar a JTA Empreendimentos e Urbanismo como proprietária da aeronave. A proximidade entre os acontecimentos é um dado cronológico que merece ser documentado, mas não estabelece, por si só, qualquer relação entre o pouso de março, a transferência de propriedade e a queda de setembro.
O mau tempo era conhecido
Também chama atenção a situação meteorológica daquele dia.
Havia previsão de condições adversas para a região da Serra Catarinense, incluindo chuva intensa e tempestades. Segundo relato do operador Juliano Luft, a própria tripulação havia procurado informações sobre as condições meteorológicas antes do voo.
Isso abre outra questão importante para a investigação: como foram avaliadas as condições meteorológicas, quais informações estavam disponíveis à tripulação e quais critérios foram utilizados para decidir pela realização do voo?
Até o momento, porém, não existe conclusão oficial de que o mau tempo tenha sido a causa da queda.
A resposta poderá estar na caixa-preta
O CENIPA já localizou a chamada caixa-preta da aeronave, que deverá ser analisada em Brasília para extração dos registros de áudio da cabine. A investigação deverá considerar fatores operacionais, humanos e mecânicos.
É justamente essa análise que poderá ajudar a transformar as perguntas em uma cronologia comprovada.
O que aconteceu nos minutos finais do voo? O helicóptero apresentou alguma anormalidade? Houve comunicação entre os tripulantes sobre o tempo ou sobre algum problema técnico? Por que não houve sinal do ELT? E existe alguma relação entre o histórico operacional da aeronave e a tragédia?
Por enquanto, são perguntas. E, diante da morte de cinco pessoas — entre elas o cantor Rick —, são perguntas que precisam ser respondidas pela investigação técnica.
*Material produzido com apoio de IA
*Com informações do site Airwai