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A Copa do México de 1970 por Urda Alice Klueger ( e uma surpresa especial)

 

Juanito, o simpático mascote da Copa do México de 1970 é desenhado na rua em São Gonçalo


É com imenso orgulho que o Portal DTV publica mais uma crônica exclusiva de nossa grande amiga e escritora, Urda Alice Klueger. Reconhecida como uma das maiores vozes da literatura catarinense e nacional, Urda nos presenteia com um texto emocionante em plena temporada de Copa do Mundo. Na obra, ela resgata memórias afetivas de sua juventude, relembrando o tricampeonato do Brasil no México em 1970, no histórico Estádio Azteca. Com uma narrativa técnica e, ao mesmo tempo, profundamente emotiva, a autora detalha o futebol daqueles dias que encantavam e paravam o país, marcando para sempre toda uma geração.

Nostalgia nas Ruas e a Torcida pelo Hexa
Para ilustrar esta edição especial, contamos com registros fotográficos incríveis e familiares enviados pela nossa colaboradora Daniela de Souza — carinhosamente conhecida como "Danizinha de São Gonçalo" (RJ). Recentemente, Daniela uniu-se a familiares e vizinhos para resgatar a tradicional decoração de rua no bairro Vista Alegre. Essa cultura, infelizmente, tem se enfraquecido devido aos resultados recentes da nossa Seleção. Fica o nosso desejo para que, sob o comando do técnico Carlo Ancelotti, o Brasil conquiste o tão sonhado hexacampeonato, reacendendo o orgulho nacional e preservando essas lindas tradições. 
Fuleco,  o tatu-bola-da-caatinga, mascote da Copa do Brasil de 2014   nas ilustrações em São Gonçalo

Uma Conexão Especial: Do Futebol ao Carnaval de 2027
Além da paixão pelo futebol, Urda e Daniela compartilham outra sintonia artística fascinante: o Carnaval. Daniela desfila anualmente no Rio de Janeiro pela tradicional escola de samba Porto da Pedra. Já a nossa querida escritora Urda Alice Klueger recebeu uma notícia que a deixou profundamente honrada:
"Sinto-me muitíssimo honrada e agradecida à Escola de Samba Embaixada Copa Lord, de Florianópolis, por ter me escolhido como homenageada para o Carnaval de 2027. O enredo da escola será inteiramente baseado no meu livro 'As brumas dançam sobre o espelho do rio'."  
O morador ilustra  a rua  com o leão Goleo da Copa de 2006 na Alemanha

Para quem quer conhecer mais, a obra é um romance histórico aclamado que narra o amor entre Elisa e Severo. O livro resgata o episódio real do século XIX, quando famílias do litoral catarinense subiram o Vale do Itajaí para fugir do recrutamento militar forçado para a Guerra do Paraguai. 
Outro ângulo da criação na rua de Goleo

Desejamos a todos uma excelente leitura e uma ótima viagem no tempo através das imagens! 
                                                             *****
COPA DO MUNDO DE 1970

O carismático mascote Pique, da Copa do México de 86 nas ruas de São Gonçalo


Em 1970, eu vivia aquele maravilhoso tempo dos 18 anos. Nas rádios, ouvíamos Roberto Carlos e The Beatles, e a televisão acabara de chegar, trazendo as imagens da Guerra do Vietnã e do Movimento Hippie. 
Foi bem aí que Zagalo montou uma Seleção como nunca haverá outra: Félix, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gerson, Carlos Alberto, Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. (Estou surpresa! Escrevi o nome de todos eles de uma assentada só, sem parar para pensar! Ah! A importância que eles tiveram para o meu coração!) 
A Copa une  todos 

Bem, como eu já disse, nunca mais haverá uma Seleção como aquela! Quem se lembra, se lembra: foram dias de total glória para a nossa alma brasileira! 
Com dias de antecipação, para se ambientar à altitude, nossa Seleção seguiu para a Cidade do México, e quando a Copa começou, deixou-nos, a nós, pobres mortais, sacralizados de prazer com a sua atuação em campo. Era uma Seleção que jogava com a leveza com que se dançam balés, com a esperteza que têm os mágicos, com uma beleza e uma graciosidade que o mundo ainda não conhecia. A cada partida, pura Arte acontecia nos gramados mexicanos, e tínhamos o prazer de ver tudo acontecer numa Copa do Mundo, ao vivo pela primeira vez, através da telinha que, naquele ano, adentrara a quase todos os lares.                          
Nas ilustrações da rua em São Gonçalo, o mascote da Copa da Itália, Ciao

Estavam eles lá longe; torcíamos dentro das nossas casas – mas não ficaram eles muito tempo sem a grande torcida ao vivo que mereciam: nuestros hermanos mexicanos, tão logo foram desclassificados, passaram, decididamente, a torcer pelo Brasil, com corpo, alma e olas,  naquela ocasião), e até hoje tenho o maior carinho pelo povo mexicano, por causa do seu apoio incondicional à nossa Seleção, naquela época.

Um cão de ''guardião'' da ilustração
Trinta e dois anos depois, lembro de cada partida, de quase todos os resultados. Sem dúvida, os jogos mais difíceis foram contra a Inglaterra (1 x 0 para nós, gol de Jairzinho), Uruguai e Itália. Sofríamos terrivelmente a cada jogo, mas por pouco tempo: logo aparecia no campo um furacão chamado Jairzinho, que subia pela ponta direita com tal impetuosidade que não havia inimigo que o contivesse, e não parava enquanto a bola não estivesse balançando as redes do adversário. E a cada jogo o balé de beleza e leveza se renovava, e nós, em plena ditadura, podíamos respirar fundo e esquecer dos problemas, e sermos absurdamente felizes sob as bênçãos daqueles onze anjos bailarinos, que resgatavam para nós a alegria de viver e a dignidade de um povo.

Todo o cuidado vale a pena


Como eu já disse lá no começo, nunca mais haverá uma Seleção como aquela! Ela nos trouxe o tri-campeonato mundial de futebol, mas não foi só isso: ela nos trouxe prazer, alegria, beleza, emoção, e, nos nossos corações, tornou-se inolvidável. Com certeza, o meu mundo e a minha vida ficaram muito mais bonitos, depois daqueles dias de orgástico encantamento!


Blumenau, 28 de Abril de 2002.

Urda Alice Klueger