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Universidades públicas: um sonho popular sequestrado pela elite

 


 Jorginho Mello, o patético  governador de Santa Catarina (Eduardo Valente/GOVSC/.)

 

O projeto original

As universidades públicas brasileiras nasceram com uma missão clara: democratizar o acesso ao ensino superior, permitindo que filhos de trabalhadores, jovens de classe média baixa e pessoas de origem humilde pudessem ascender socialmente por meio da educação. A ideia era simples e justa: garantir que o conhecimento não fosse privilégio de poucos, mas patrimônio de todos.

A realidade distorcida

Entretanto, ao longo das décadas, esse projeto foi desvirtuado. Hoje, a maioria dos estudantes que ingressa nas universidades públicas vem de famílias de classe média alta e da elite econômica. Jovens que estudaram em escolas privadas, com acesso a cursinhos caros e preparação diferenciada, ocupam as vagas que deveriam estar abertas principalmente para os filhos da classe trabalhadora. O resultado é cruel: quem mais precisa da universidade pública é justamente quem menos consegue entrar nela.

O discurso da “meritocracia”

Para justificar essa exclusão, setores privilegiados recorrem ao discurso da “meritocracia”. Alegam que todos têm as mesmas condições de competir, quando na prática isso é uma falácia. Como falar em igualdade de oportunidades quando o estudante pobre enfrenta escolas públicas sucateadas, sem estrutura, professores mal remunerados e currículos defasados, enquanto o jovem rico tem acesso a colégios privados, intercâmbios e cursinhos de ponta? A meritocracia, nesse contexto, não passa de uma máscara demagógica para manter privilégios.

Universidades privadas: opção para quem pode pagar

É importante lembrar que o Brasil possui uma ampla rede de universidades privadas. Portanto, nada mais justo que aqueles que pertencem às elites econômicas, e que têm condições financeiras para arcar com mensalidades, busquem essas instituições. As universidades públicas devem ser prioritariamente destinadas aos jovens pobres e de classe média baixa, que não têm outra alternativa para alcançar o ensino superior. O acesso gratuito precisa ser protegido como um direito social, não como um privilégio da elite.

O medo da perda de privilégios

A resistência às políticas de cotas raciais e sociais revela o medo da elite de perder espaço. Muitos dos que se opõem às cotas são os mesmos que ocupam cargos públicos bem remunerados, muitas vezes obtidos por meio de relações de amizade e influência — um verdadeiro cabide de empregos. O temor é claro: se o filho do pobre tiver acesso à universidade, poderá disputar os mesmos espaços e ameaçar a herança de privilégios que sustenta gerações.

A urgência de uma revisão educacional

O governo precisa realizar uma revisão profunda no sistema educacional, tanto público quanto privado. É necessário que as escolas ensinem não apenas conteúdos acadêmicos, mas também o essencial para a vida: como planejar o futuro, como se colocar no lugar do outro, como pensar criticamente e contestar injustiças. A educação deve formar cidadãos conscientes, e não apenas mão de obra para o mercado.

O peso do preconceito regional

As regiões Sul e Sudeste do Brasil historicamente concentram os maiores índices de preconceito e discriminação. Nessas áreas, as minorias sofrem ainda mais com a exclusão e ficam à mercê de uma elite que insiste em manter privilégios. Não é coincidência que, em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello — representante de uma visão política extremista de direita — tenha vetado leis de cotas raciais nas universidades do estado. Esse ato é simbólico: mostra como parte da elite política e econômica se recusa a abrir espaço para os mais pobres e para as minorias, perpetuando um sistema cruel e excludente.