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Tensão no Ártico: aeronaves da NORAD seguem para a Groenlândia enquanto Canadá se alinha à Dinamarca

 

 Trump  e o controle da Groenlândia. Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP/Ritzau Scanpix Gráfico: Maria Thykjær Jespersen via Berlingske


O Canadá, que recentemente vem sendo alvo de pressões e ameaças veladas dos Estados Unidos quanto a uma possível anexação, deverá nos próximos dias intensificar sua participação no cenário de tensão no Ártico. Segundo informações da emissora canadense CBC, citando dois oficiais de alta patente sob anonimato, existe a possibilidade de que um pequeno contingente de soldados canadenses seja enviado por via aérea à Groenlândia ainda nesta semana, caso seja formalmente solicitado.

Em meio a esse contexto, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, destacou em publicação na rede social X:

“A segurança no Ártico – os flancos norte e oeste da OTAN – é fundamental para nossa aliança. O Canadá está convencido de que a melhor forma de garantir a segurança do Ártico é cooperar dentro da OTAN.”

Movimentações Dinamarquesas

Na noite do dia 19, um avião transportando soldados dinamarqueses pousou em Nuuk, capital da Groenlândia. Horas antes, as Forças Armadas da Dinamarca haviam informado à imprensa nacional que um contingente de combate estava a caminho da ilha, descrevendo a operação como “uma contribuição substancial”.

O chefe do Exército dinamarquês, Peter Boysen, declarou à TV 2:

“Estamos preparados para defender a Groenlândia. Realizamos exercícios para enfrentar confrontos difíceis e sabemos como nos proteger.”

Segundo a mesma emissora, 58 soldados de combate desembarcaram na segunda-feira, juntando-se a outros 60 militares enviados previamente para preparar o terreno dos exercícios.

Ações do NORAD

Pouco depois, o NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) anunciou em X que aeronaves conjuntas dos EUA e Canadá chegarão em breve à Base Espacial Pituffik, na Groenlândia. A operação, segundo o comunicado, faz parte de atividades planejadas há muito tempo e coordenadas com o Reino da Dinamarca, com ciência do governo da Groenlândia.

O NORAD ressaltou que tais operações fazem parte da rotina de defesa da América do Norte, envolvendo suas três regiões: Alasca, Canadá e Estados Unidos continentais. Ainda assim, o movimento é interpretado por muitos como uma provocação militar dos EUA, especialmente diante das tensões crescentes com o Canadá e a Dinamarca.

Reações da OTAN e da União Europeia

Nem a Suécia nem a Noruega descartam a possibilidade de uma missão da OTAN na Groenlândia. O ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, afirmou após reunião em Bruxelas:

“Não descarto isso de forma alguma. O primeiro passo é uma missão de reconhecimento junto com outros países. É importante para a OTAN aumentar a conscientização sobre o que chamamos de Alto Norte.”

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, também se manifestou em X após encontro com autoridades dinamarquesas e groenlandesas:

“A segurança no Ártico é uma questão transatlântica comum que podemos discutir com nossos aliados americanos. Não temos interesse em iniciar um conflito, mas permaneceremos firmes. A Europa possui várias ferramentas para proteger seus interesses.”

Escalada Global

O cenário internacional torna-se ainda mais delicado diante de outros focos de tensão. O Irã advertiu recentemente que poderá atacar bases militares dos EUA caso Washington intervenha nos protestos internos que abalam o país. Paralelamente, poucos dias após os EUA capturarem o presidente da Venezuela e sua esposa, cresce a percepção de que o mundo se aproxima de um ponto crítico.

A condução da política externa americana sob Donald Trump é vista por analistas como fator de risco para uma possível Terceira Guerra Mundial, em meio a uma ONU fragilizada e incapaz de exercer influência significativa. Uma eventual invasão da Groenlândia pelos EUA poderia provocar uma cisão dentro da OTAN, fortalecendo Rússia e China. Nesse cenário, Moscou poderia até justificar sua invasão da Ucrânia como resposta legítima, argumentando que a própria existência da OTAN seria um erro histórico.

📌 Fonte: Berlingske – Kampen om Grønland: følg med direkte her