A captura do presidente venezuelano por forças dos Estados Unidos, enquanto o presidente dormia ao lado de sua esposa, representa um divisor de águas na história das relações internacionais contemporâneas — não apenas para a América do Sul, mas para todo o sistema global de soberania estatal. Trata-se de um evento sem precedentes formais na região e de uma gravidade institucional que transcende a figura de Maduro, seu regime autoritário ou a crise venezuelana em si.
É possível — e necessário — afirmar que sim, Nicolás Maduro comanda um regime autoritário, ilegítimo, responsável por colapsar economicamente seu país e empurrar milhões de cidadãos à miséria e ao exílio; e, ainda assim, nada justifica a violação direta da soberania de um Estado por outro, muito menos por meio da captura física de seu chefe de governo em solo nacional.
Quando os Estados Unidos decidem invadir a capital de um país sul-americano e retirar à força seu presidente, arrogam para si um papel que não lhes pertence: o de juiz supremo do sistema internacional. Não há mandato da ONU, não há consenso multilateral, não há base jurídica sólida no direito internacional que sustente tal ação. O que existe é força bruta, hegemonia militar e a lógica do “quem pode, faz”.
| Presidente venezuelano Nicolás Maduro em solo americano, caminhando por um corredor do escritório da Agência de Repressão às Drogas (DEA) com agentes da agência. |
A CIA tinha fontes dentro do governo venezuelano fornecendo dados à agência dos EUA sobre os movimentos e localização do presidente Nicolás Maduro, segundo o The Washington Post, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
A agência "tinha uma pequena equipe clandestina no terreno desde agosto, que conseguiu fornecer informações extraordinárias sobre os hábitos de Maduro, o que facilitou sua captura", disseram as fontes, que falaram sob condição de anonimato. o que mostra que a captura já era planejada há tempos.
Agora, entre as pérolas, Trump e diz que vai " administrar a Venezuela". E produção de petróleo também principalmente é lógico!
O falso pacifismo e a diplomacia da força
Donald Trump, que se vende como pacificador em determinados conflitos — como o da Rússia com a Ucrânia —, revela com esse ato a completa inconsistência de seu discurso. Enquanto finge buscar a paz em um front europeu, inaugura um precedente explosivo no hemisfério ocidental: a normalização da captura direta de líderes estrangeiros.
Não se trata apenas de uma operação contra a Venezuela. Trata-se de uma mensagem ao mundo. Uma demonstração de poder direcionada não só a Caracas, mas também a Moscou e Pequim. A Venezuela havia se tornado, nos últimos anos, um território de influência compartilhada entre Rússia e China. Ao agir dessa forma, Washington não apenas remove um aliado desses países, como afirma, de maneira explícita, quem ainda “manda no mundo”.
Essa lógica remete diretamente à revitalização da Doutrina Monroe, agora sob um novo corolário trumpista: a América Latina volta a ser tratada como quintal estratégico dos Estados Unidos, sobretudo em um momento em que sua influência regional vinha sendo gradualmente corroída pelo avanço econômico e militar da China e pela presença geopolítica russa.
Documentos divulgados pela própria Casa Branca mostram que a doutrina Monroe que direciona o poderio e a influência dos Estados Unidos no mundo e no caso da América Latina como uma espécie de Quintal dos Estados Unidos sob influência dos Estados foi revitalizada recentemente sobre o corolario de Trump. Até porque há anos que os Estados Unidos vem perdendo a influência na região inclusive para a própria Rússia e da China. A doutrina apregoa ainda o poderio dos Estados Unidos sobre os oceanos com várias bases em Pontos estratégicos e no caso das Américas , os pontos estratégicos , como por exemplo, o Canal de Panamá e a Groenlândia, canal do México e outros e Trump vem falando sobre isso desde o início de sua volta, ano passado. Já a China vem comprando cada vez mais terrenos próximo a regiões militares dos Estados Unidos e aumentando cada vez mais a sua influência nos mares do mundo e nos portos e no caso da América Latina a partir da Venezuela.
| Os ataques aéreos que abalaram a capital venezuelana na manhã de sábado e que precederam a captura estratégica de Trump duraram cerca de 25 minutos . |
Um precedente perigosíssimo
A partir de agora, líderes de países considerados “hostis” ou “desalinhados” podem se tornar alvos diretos de operações semelhantes. Isso altera profundamente o cálculo estratégico global. Estados passam a temer não apenas sanções, embargos ou guerras convencionais, mas a possibilidade de ataques cirúrgicos contra seus próprios chefes de Estado.
Esse tipo de ação incentiva uma escalada perigosa: regimes passam a investir ainda mais em militarização extrema, armas de dissuasão e proteção pessoal obsessiva de seus líderes. Não por acaso, países como Coreia do Norte, Rússia e China desenvolveram arsenais estratégicos justamente para evitar esse tipo de intervenção. A Venezuela, ao contrário, cometeu um erro fatal ao não construir mecanismos robustos de dissuasão militar.
Nesse sentido, o destino de Maduro guarda paralelos inquietantes com o de Muammar Kadafi. Ambos subestimaram o momento político, confiaram em garantias frágeis e pagaram o preço máximo.
Maduro quando viu o circo se fechar poderia muito bem ter pego um avião com sua mulher e ido para Cuba e depois pedir asilo político na Rússia ou ficar administrando o país sul-americano através da Rússia com o apoio de Putin , mas subestimou aquilo que se aproximava e a loucura de Trump.
Péssimo estrategista´, Nicolás Maduro, há anos no poder, se transformou em um ditador que fez o país entrar em uma crise econômica e humanitária sem precedentes fazendo a população mergulhar em um estado de miséria e pobreza fora do comum procurando refúgio em países vizinhos. e novamente, a pesar de tudo, Nada justifica um país interferir na Soberania de outro e capturar seu presidente mesmo que já ilegítimo e aliás, por onde está a ONU e para que ela serve mesmo está tão enfraquecida…
| e disse que os EUA estão "preparados" e reiterou que têm "uma segunda onda [de ataques] muito maior que a primeira." |
O silêncio da ONU e o esvaziamento do sistema internacional
Outro elemento perturbador é o papel — ou a ausência dele — das instituições multilaterais. Onde está a ONU? Para que serve, afinal, se não consegue impedir ou ao menos reagir de forma contundente a um ato tão explícito de agressão ao direito internacional?
Está se tornando cada vez mais na famigerada Liga das Nações após a Primeira e antes da Segunda Guerra Mundial. Sem poder e influência nenhuma, acabou por se dissolver.
A avaliação de que “não há lado bom nessa história” é precisa. O enfraquecimento do sistema internacional é total. Quando a maior potência do planeta decide agir unilateralmente, sem qualquer freio institucional efetivo, o mundo entra em uma zona cinzenta onde regras passam a ser opcionais.
Trump: o risco personificado
Ao contrário do que muitos imaginam, essa ação não fortalece Donald Trump no longo prazo. Pelo contrário. Cada palavra e cada gesto seus, que já eram vistos com desconfiança, passam agora a ser percebidos como perigosos, imprevisíveis e potencialmente desestabilizadores.
Ao inaugurar essa nova forma de intervenção direta, Trump não apenas expõe outros líderes — expõe a si mesmo. Retaliações assimétricas, ataques indiretos, ações de inteligência e sabotagem passam a integrar o horizonte real de possibilidades. Em um mundo multipolar, nada acontece sem resposta.
Mais ainda
A captura de Nicolás Maduro não é a vitória de uma democracia sobre uma ditadura. Os EUA não vivem atualmente uma democracia de fato assim como a Venezuela.
O ocorrido neste 3 de Janeiro é o triunfo da força sobre o direito. É a substituição da diplomacia pelo comando militar direto. É um marco sombrio que inaugura uma nova era de insegurança global.
É praticamente um ato de um ditador internacional que nem Adolf Hitler fez .
É a primeira vez que a América do Sul vê tal coisa ocorrer já que até agora através do comando do Sul dos Estados Unidos, o órgão militar que trata dos assuntos militares ,ou seja da influência dos Estados Unidos na América do Sul- e que recentemente mudou de administração-, e que sempre colocava no poder militares na América do Sul , pela primeira vez vê de uma forma tão escancarada um Presidente ser tirado do poder com uma base jurídica internacional fraca de que organizações criminosas e narco-terroristas influenciam ou mandam em alguns governos e com isso colocam os EUA em risco.
Putin, antes um ótimo estrategista e que tem cometido falhas terríveis desde que invadiu a Ucrânia agora vê o grande erro que fez em apoiar explicitamente Donald Trump nas duas vezes para a Casa Branca pois o empresário ruivo agora manda na Venezuela , território antes só de Putin e da China e Putin que está no poder há anos agora percebe com apreensão de que é possível um país entrar em outro e capturar seu mandatário e é justamente por essas e outras razões condenou a captura de Maduro por parte dos Estados Unidos e a partira de agora mais do que nunca deve se tornar um dos atores mundiais a abandonar o mandatário dos EUA que ele ajudou a colocar no poder e aproximar -se de uma linha mais no ataque ainda aos EUA e a Trump.
Fontes: CNN Brasil, RT En Español.