A Apple, símbolo global de inovação e status, enfrenta uma série de acusações que expõem um lado pouco conhecido de seus produtos e operações. Por trás da aura de luxo e da publicidade milionária, processos judiciais recentes levantam sérias dúvidas sobre a segurança de dispositivos e práticas ambientais da gigante de tecnologia.
Pulseiras do Apple Watch e os “Forever Chemicals”
Em janeiro de 2025, uma ação coletiva foi movida contra a Apple nos Estados Unidos, alegando que pulseiras de modelos como Sport Band e Ocean Band contêm níveis elevados de PFAS — substâncias conhecidas como “químicos eternos”. Esses compostos não se degradam no corpo humano nem no meio ambiente e estão associados a câncer de rim e testículo, além de problemas de fertilidade. Pesquisadores da Universidade de Notre Dame identificaram concentrações preocupantes desses químicos em pulseiras de smartwatches, incluindo as da Apple.
Radiação dos iPhones
A Apple também já enfrentou acusações relacionadas à radiação emitida por seus celulares. Em 2019, processos coletivos alegaram que modelos como iPhone 7, 8 e X ultrapassavam os limites federais de radiofrequência quando usados próximos ao corpo. Embora parte dessas ações tenha sido arquivada em 2020, sob a justificativa de que os aparelhos estavam em conformidade com normas da FCC, o episódio reforçou a percepção de que os produtos da empresa permanecem sob constante escrutínio.
Segredos industriais e denúncias internas
Em setembro de 2025, Ashley Gjovik, ex-gerente de programas de engenharia da Apple, entrou com uma ação federal contra a empresa. Ela acusa a companhia de expor funcionários e vizinhos a produtos químicos tóxicos em sua fábrica de chips em Santa Clara, Califórnia. Segundo Gjovik, operações realizadas no endereço 3250 Scott Boulevard violaram leis ambientais ao manusear e liberar substâncias perigosas. Em entrevista, ela relatou sintomas graves de intoxicação e afirmou que exames de sangue revelaram níveis alarmantes de exposição química.
A posição da Apple
A Apple mantém a defesa de que seus produtos passam por testes rigorosos e cumprem padrões internacionais de segurança. Em resposta às acusações sobre as pulseiras, a empresa declarou que os acessórios são seguros para uso. No entanto, especialistas alertam que a presença de PFAS em produtos de consumo é motivo de preocupação global, e que a transparência das empresas é fundamental para proteger os consumidores.
O impacto social
Além dos riscos à saúde, há um impacto econômico e cultural. A Apple construiu uma imagem de luxo e exclusividade que leva muitos consumidores a se endividarem para adquirir seus produtos. A marca também sempre teve algo de classista e desde a morte de seu criador Steve Jobs parece seu rumo. O silêncio da mídia tradicional, que tem a Aplle como seus grandes anunciantes , contribui para que denúncias como essas recebam pouca visibilidade.
Conclusão
Os processos contra a Apple revelam que muitas marcas consagradas podem esconder perigos em seus produtos e operações. A combinação de poder econômico, marketing de luxo e segredos industriais cria um cenário em que os consumidores ficam vulneráveis. A questão que permanece é: até que ponto o prestígio da marca justifica os riscos que ela pode impor ?